sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

So simple, so hard...

Sempre precisei de um pouco de atenção...
              Legião Urbana

Realmente, atenção em todos os sentidos. Alguém que cuidasse de mim, que se importasse em saber como foi meu dia, que escutasse o que tenho a dizer dando a devida importância.

Abri o Word durante o tempo que estava sem internet e comecei a digitar, algo que sentia, acabou ficando um texto enoooorme, vou postar em partes aqui no blog. Essa então, é a primeira parte...

 
...Nunca fui uma menina muito fácil de entender, de conviver, às vezes penso que nem eu mesma me aguentaria.
Sei que sou forte pra muitas coisas, mas é uma força que vem num tipo de máscara sabe... Ninguém entende como meu mundo desaba quando estou sozinha.
Aprendi a não fazer birra como quando era uma criança de 5 ou 6 anos, fui crescendo, e da forma mais cruel vendo o mundo que temos, que vivemos e que infelizmente as pessoas cultivam e elas próprias aumentam ainda mais todos os males que existem; por exemplo, a anorexia, a bulimia, assim como a violência ou qualquer outra coisa ruim que possa-se considerar aqui.
Não parece fácil para uma menina que nunca se ‘encaixa’ em nada parecer suficiente sozinha para viver do SEU jeito, ouvindo sempre e sempre críticas, coisas sórdidas sobre si mesma, tentando amar-se sendo que não sente esse amor e consideração vindo de outras pessoas.
Uma gordinha pode até parecer feliz, saindo com amigas, tomando uma coca normal, um sorvete, comendo um chocolate sem se importar com a quantidade de calorias que está ingerindo. É hipocrisia pensar que essa felicidade é eterna. Os padrões dominam, enlouquecem, fazem começar a analisar como seu corpo fica horrível com uma roupa que acha tão linda e que almeja usar, mas seu corpo não se encaixa nos padrões para que esta roupa foi criada, pois é gorda...
Sempre gostei de moda, de música, arte, literatura, história, filosofia, sociologia, meio ambiente etc, já não parecia ‘normal’ alguém que no auge da adolescência gostasse desse tipo de coisas. Desenhar roupas, inspirar-me no que gosto deixou de ser um ‘hobbie’ para criar um transtorno em mim. O que fazer para que as roupas que eu própria desenho, algumas tão perfeitas fiquem perfeitas em mim também ao serem feitas e usadas? Mudar o cabelo? Fazer uma maquiagem mais ousada? Talvez uma dieta, emagrecer uns quilinhos; talvez dois ou três, quem sabe 5 kg a menos ... 7 seria perfeito... Mas nunca são suficiente. E é aí que vem essa obsessão, essa loucura. No começo tudo fica tão mais alegre quando se consegue diminuir consideravelmente a comida, emagrecer algumas gramas, quem dirá então quando faz um período de nf, que a diferença é realmente notável. Sua barriga não está mais tão inchada e sua clavícula está mais saliente. Depois de alguns dias, ao acordar, pálida, com olheiras e sentindo tontura, é um êxtase, uma vitória. Decide que quer continuar com isso, mesmo sabendo que é uma loucura, mesmo tendo ouvido já tanto lhe falarem que a insistência nesse tipo de comportamento mata muitas pessoas. Não importa; isso te deixa tão feliz. É a melhor sensação do mundo. Dedica então o tempo livre para fazer cálculos de calorias, ver quantas podem ser diminuídas ainda, calcular quantas calorias gastou com aqueles 100 abdominais que fez, ou com extensas caminhadas, com o tanto esforço em exercícios físicos, aqueles que preferiu fazer quando cancelou o programa que faria com tuas melhores amigas no sábado...

                 {...}

4 comentários:

  1. A.d.o.r.e.i o texto!! Quero ver o resto da história hein, bjs

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  2. EStou sem palavras...queria dizer-te tanta coisa, mas nem sei por onde começar. :s
    1º - Todos nós queremos atenção. É normal! Se sentiste que não te deram a atenção que precisavas, é porque realmente não ta deram...e não é fácil conviver com isso. Mas é importante aceitar que não podemos mudar o passado, há que criar agora, no presente, relações e ligações que te façam sentir compreendida, preenchida e bem contigo mesma. :)
    2º - Eu também sempre me senti diferente dos meus amigos e ainda hoje sinto. As nossas vivências, foram diferentes das deles...e tanto eu como tu, tivemos de amadurecer mais rapidamente e demos importância a outras coisas na vida. Não é mau ser diferente, aliás, é sempre bom. As pessoas são tão iguais no seu mundinho, não achas? É um privilégio, sermos diferentes.

    Quanto aos T.A...falaste deles com uma clareza tão grande, que eu até nem sei o que comente. :s
    Só te digo: quero ver ossos, quero ser magra...mas estou farta de sofrer e ter fome.
    Se compensa? Compensa quando subimos à balança...mas não quero que a minha felicidade dependa eternamente do meu peso.
    Força
    Filipa*

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  3. Olá,
    Eu acredito que o transtorno alimentar vai muito mais além do que o desejo de um corpo magro e a aceitação da sociedade. Acredito que é algo muito mais complexo que números e ossos, porque afinal nunca é suficiente...
    Espero que um dia nós possamos encontrar o motivo que nos levou a isso e que possamos encarar de uma forma mais eficaz do que a perca de peso.
    Beijos ;*

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  4. Ah meu amor, como te entendo...
    Sei bem o que é evitar até de se olhar no espelho... Estou bem assim nesses últimos dias... Odiando tudo queme reflete, odiando estar do lado de alguém mais magro que eu --'

    Queria me trancar em uma sala onde não tivesse comida e nem companhia e jogar a chave fora.! Quem sabe assim eu nãome sentiria melhor.!


    Desejo sorte para ti e que tudo melhore *-*
    Te adoro.!

    PS: Continua o texto no próximo post, ok.?



    Kisses, Roxy. ♥

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