terça-feira, 2 de abril de 2013

Trying to live


As cicatrizes do último corte já estavam melhores; as coisas pareciam que estavam começando a se encaixar. Era madrugada, me olhei no espelho e senti nojo de mim mesma, nojo de ver essa imagem horrorosa de alguém que não sou eu, de um monstro, uma aparência deformada que me deixou desesperada. Gorda, extremamente gorda. Barriga enorme, coxas, tornozos, pulso, dedos, um rosto gordo, tudo horrivel. Estou cansada. Estou me sentindo um lixo humano.
Estava sozinha, estava chorando, angustia, medo, desespero, procurei por remédios, tomei pelo menos uns quinze, na esperança de que isso pudesse me suprir psicologicamente de alguma forma; peguei uma lâmina e me cortei outra vez. Pra disfarçar; a velha companheira fitinha vermelha que amarro com várias voltas no pulso. Sou tão idiota! Porque faço se eu sei que isso não vai me deixar mais magra, muito menos mais bonita?
Parece que estou tendo uma daquelas recaídas malditas que me fazem me odiar tanto a ponto de não querer mais me ver no espelho, a ponto de querer passar o dia todo na cama, chorando, sozinha, sem ver ninguém. Nada do que faço me anima.
Tenho vontade de simplesmente parar de comer. O que já tenho feito (de novo) . Tenho ido à academia. Não me pesei mais. Já ouvi pessoas comentando que estou mais magra, mas na verdade, não vejo diferença alguma. Parece que todas estão mentindo pra tentar me agradar, pra não parecer tão frustrante ir malhar todos os dias, correr, andar muuito e não ter resultado algum. Sei lá.
A última vez que bebi (e foi consideravelmente pouco; tipo dois drinks no máximo, eu juro!) passei tão mal a ponto de achar que deveria ir pro hospital. No fim todo mundo me criticou pois não havia comido nada o dia inteiro e segundo eles, essa foi a causa do mal estar. Minha pressão baixou, estava super gelada, não tinha mais ‘sentidos’. Até insistiram muito para que eu comesse algo, mas estava disposta a desmaiar em público a ter que comer alguma coisa.
Tudo tem sido bem complicado. Talvez sinta falta de casa, o que não sei se realmente é.
Anteontem, no domingo de páscoa, foi a primeira vez que não passei junto com minha família. Não ligo muito pra datas assim, sinceramente, não acredito muito nisso. Acho que nem tem mais sentido, tornou-se assim como o natal, uma data consumista... enfim... minhas opiniões não vem ao caso... o fato é que me senti meio perdida. Sem os amigos que sempre estiveram comigo (mesmo que sempre fui meio antissocial), sem os familiares, sem tantas atenções.
Ganhei chocolates e os dei para minha afilhada e alguns para uma amiguinha dela que é
nossa vizinha.  Fomos almoçar em um restaurante. Não sei se eu sentia pena das pessoas lá ou de mim mesma. Observava os absurdos e exageros de alimentos que todos estavam comendo. Comi saladas e um pedaço de peixe. Enquanto comiam sobremesa, estava eu lá com minha coca zero na mão... Não sei mais o que penso a respeito de comida. É um pesadelo, uma tortura. Penso em comê-la, penso em não comê-la. Sinto vontade e muito mais sinto nojo. Quando como me sinto horrível e enjoada e acabo vomitando; às vezes sem forçar nada, apenas por rejeição do meu estômago...
Não comi um chocolate sequer. Nem pretendo comer por um bom tempo.


Assim vou vivendo [tentando] com essas loucuras e desafios eternos. Não sei se espero que as coisas melhorem realmente. Só espero ser magra e um dia me sentir bem com meu corpo, minha mente e minha alma.